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| Esquema de utilização do absorvente reutilizável |
A quantia média equivalente a 17 carrinhos de supermercado em absorventes industriais descartáveis são jogados no lixo por cada mulher durante a vida fértil. São cerca de 10 a 15 mil produtos, que levam até 100 anos para se desintegrarem na natureza. Uma alternativa ecológica já está disponível. É o absorvente íntimo reutilizável, confeccionado em flanela de 100% algodão, material antialérgico. O produto não é novidade, afinal o “paninho das vovós” já foi muito utilizado, mas é um diferencial para quem atualmente decide por contribuir com o meio ambiente. Somente nos Estados Unidos, são jogados fora 12 bilhões de absorventes e 7 bilhões de tampões por ano.
O problema do lixo é mundialmente conhecido e pode ser agravado por tampões na privada, que causam problemas aos esgotos. As embalagens dos absorventes descartáveis também vão parar no lixo. Quanto aos aplicadores de tampões, que além de poluírem praias, podem ser engolidos por pássaros ou animais marinhos que em conseqüência disso acabam morrendo.
A preconizadora do produto no Brasil é a geógrafa carioca Diana Hirsch. A idéia já existia em outros países, mas era cara para ser importada. Diana Hirsch, ainda na universidade, e dotada de habilidades manuais, decidiu costurar o próprio absorvente íntimo reutilizável. Ela percebeu que algumas colegas se interessaram pelo artefato e começou a vendê-lo. O batizou de “Abiosorvente”.
O absorvente de algodão dura por até seis anos e é lavável, como se fazia com as antigas “toalhinhas”. Além do mais, se reintegra à natureza em menos de um ano. Diana Hirsch recomenda no site www.coisasdemulher.com.br que o “Abiosorvente” seja deixado de molho antes da lavagem normal. Ela inclusive provoca polêmica quando diz que a água utilizada para o molho dos absorventes seja usada para regar plantas, por ser rica em nutrientes. A ginecologista Renata Carlos Ferreira explica que o sangue da menstruação é limpo. “O sangue que sai do endométrio é totalmente estéril, se ela (a mulher) não tiver infecção”, garante.
O produto deve ser higienizado assim como uma roupa íntima. Na hora de carregar na bolsa, ele pode ser fechado como uma “trouxinha” e transportado para higiene posterior. Mesmo com todas as vantagens ecológicas e de saúde, muitas mulheres não se adaptam à idéia de lavarem o próprio sangue menstrual. A universitária Maria Fernanda, 23, não usaria o absorvente reutilizável. “Prefiro usar o descartável. Já estou acostumada”, diz. A também universitária Carolina Araújo, 32, assume o comodismo. “Não usaria por comodismo mesmo”, afirma.
Além do impacto ambiental, os absorventes industriais podem causar danos à saúde feminina. A Síndrome do Choque Tóxico vem sendo associada a produtos absorventes industriais. Há casos de mulheres que alegam infecções nas paredes da vagina devido ao uso de tampões. A ginecologista Renata Carlos Ferreira, apóia o uso de absorventes feitos de algodão. “Acho que é uma excelente opção. Chegam muitas pacientes no pronto socorro com alergia ou irritação devido ao uso do absorvente descartável”, lembra. Ela inclusive condena o uso de absorventes do tipo protetor diário. “Aquilo é totalmente contra-indicado. A incidência de infecções ginecológicas em pacientes usuárias é alta. Predispõe a infecção de repetição”.
Os absorventes menstruais descartáveis são feitos de papel alvejado e plástico, metais, surfactantes, desinfetantes, fragrância, bactericida, fungicida, gel absorvente, colas, traços de organocloretos como a dioxina (altamente cancerígena), entre outros. Não há lei que regule os ingredientes usados nesses produtos e as indústrias não têm a obrigação