“Eu vou no bloco é dessa moçada!”

Em artigo, a reitora do IESB e professora Eda Coutinho traz reflexões sobre a necessidade das universidades contribuírem para a transformação social e a construção de uma sociedade democrática. 

“A educação é a minha bandeira!”. A afirmação consta em artigo publicado no dia 16 de janeiro, no Correio Braziliense, na Coluna 360 Graus, da jornalista Jane Godoy. Mestre e Doutora em Educação pela Universidade da Pensilvânia (EUA), com pós-doutorado em inovações do sistema de educação no Instituto Max-Planck em Berlim (Alemanha), a reitora do Centro Universitário IESB e professora Eda Coutinho sai em defesa da educação para a transformação social. 

Desde os seus 17 anos, a professora Eda Coutinho reúne vasta experiência na área de educação. Para ela, as universidades devem enxergar uma missão muito além da formação profissional, focada em introduzir mudanças na sociedade. Com uma visão global, em seu texto, a educadora defende a igualdade entre os povos em um mundo mais justo e seguro. “Haverá muita felicidade e muita paz”, espera a visionária educadora que atravessa gerações com sua mensagem.

 

Leia o texto na íntegra, publicado hoje (16/1), no Correio Braziliense, na Coluna 360 Graus, de Jane Godoy. 

Eu acredito, e ponho fé, que nosso país vai melhorar muito nos próximos anos e, que a moçada que está aí, vai causar uma transformação grande nos nossos princípios e valores norteadores da nossa conduta. 

Por causa dos nossos jovens que já se cansaram com a deterioração da ética, da verdade, dos costumes, haverá uma mudança grande na sociedade brasileira. E nossas crianças ganharão mais com o dinheiro existente para a construção de creches, de escolas públicas com ensino de qualidade, de hospitais onde elas não precisem de mais de meia hora nas filas para serem atendidas. 

Eu acredito que não haverá a indiferença, existente hoje, diante de tantos absurdos que a mídia notícia. São creches onde as crianças desmaiam porque não há comida para a fome que trouxeram de casa, onde não há brinquedos, não há professores preparados e mobilizados para oferecer um ensino melhor. 

São jovens que não foram preparados na educação básica e precisam deixar a escola para ajudar seus pais. Pouquíssimos vão para o ensino médio e apenas a metade consegue terminar. Desistem por falta de motivação. Daí, aumentam o número de desempregados ou são levados para o caminho mais tentador e que lhes parece mais fácil: as drogas. Acabam com sua juventude e com a esperança... 

Eu acredito que o nosso país fará investimentos grandes no ensino técnico e seguirá os bons exemplos de outros países, como a Alemanha e a Coreia do Sul, que há muitos anos valorizam, para contratar os seus cidadãos, a sua competência e não somente o seu diploma de ensino superior. Por que será que hoje todos pensam que é preciso um diploma de curso superior para se ter sucesso no mercado de trabalho? 

Eu acredito que as políticas públicas do nosso país passarão a ser mais justas, visando incluir socialmente o pobre, o negro, o índio, a mulher, tão abandonados e excluídos durante tanto tempo (séculos!) das melhores oportunidades que o mercado de trabalho oferece. 

Eu realmente acredito que o feminicídio diminuirá tremendamente e que os homens sem preconceito e empoderados pela lei, pelo poder de seus cargos, pelo poder do dinheiro que possuem ou simplesmente pelo poder da liderança que carregam consigo não deixarão que nenhum marido ameace ou mate sua mulher. 

Eu acredito que a saúde realmente seja uma prioridade nesse país. E que os médicos que cuidam das UPAS e dos hospitais públicos sejam bem selecionados para atender, com respeito, dignidade e afeto, os seus pacientes menos favorecidos economicamente. 

Eu acredito que nenhuma pessoa tenha medo dos policiais e que as crianças aprendam com seus pais e com as professoras que eles são seus protetores e anjos da guarda. 

Eu acredito que os adultos passarão a cuidar do meio ambiente, da água, da energia, das florestas, dos campos, das flores... Porque as crianças já aprenderam! 

Precisamos de tudo isso para que todos nós tenhamos menos gás carbônico no ar que respiramos, mais florestas e mais flores para apreciar a beleza das suas cores! 

Eu acredito que desde pequena, a criança aprenda com seus pais e nas escolas, o que significam as palavras preconceito, justiça, igualdade, diversidade e solidariedade. É preciso que esses conceitos sejam aprendidos na teoria e na prática, dentro de casa e em todos os lugares em que estiverem. O poder do exemplo é tão grande que se multiplicará por todos os lados... 

E, por último, acredito que as universidades acordarão e verão que sua missão não é somente preparar excelentes profissionais, mas também cidadãos que queiram introduzir mudanças na sociedade e melhorar este mundo tão cheio de sofrimento, de dor, de fome, de injustiça, tão desigual e cruel com as crianças e todos aqueles que não foram favorecidos por nascerem em uma família de mais recursos. 

Eu acredito sim que a educação é a minha bandeira! E que os valores como bondade e solidariedade, reconciliação, paz, confiança, inclusão social, diversidade, serão incorporados naturalmente...E o amor entre os povos eliminará conflitos, guerras e disputas. 

Não haverá grandes diferenças entre os povos e os cidadãos serão globais. Poderão viver em qualquer parte do mundo e estarão sempre construindo um lugar melhor, mais justo e mais seguro. Haverá muita felicidade e muita paz. 

Este é o país que eu gostaria de construir para os meus netos e bisnetos. E para os seus também!

 

Anny Cassimira


Compartilhe: