ESPORTE 

Fúria em duas rodas a 300 KM/H
Velocidade toma conta do asfalto entre as Capitais, Brasília e Goiânia.


Waleria Fortes

Waléria Fortes
Sensação de liberdade sobre duas rodas
         Aos domingos de manhã, a alta velocidade toma conta das rodovias que ligam o DF ao Goiás. Em questão de horas a estrada é tomada por motociclistas e suas máquinas. Em alta velocidade e com equipamentos sofisticados, dezenas de pilotos encaram sol e chuva em busca de liberdade e adrenalina.

                O ritual já é conhecido por quem anda de moto. O ponto de encontro é no posto Playtime em Taguatinga (saída para Goiânia), geralmente às 8h e o destino é o território goiano. O ponto mais badalado pelos motociclistas é o restaurante/lanchonete Jerivá, na BR-060 que liga Brasília a Goiânia. A parada é obrigatória para um café reforçado e um bom bate-papo.

            Quem vê a tranqüilidade em volta dos pilotos não imagina a inquietação deles em cima das motos. As esportivas chegam a 300 Km/h em alguns trechos, mas a média dos pilotos vai de 200 a 260 km/h. O tempo gasto para percorrerem um trecho de 120 km é assustador. Motos esportivas e nakeds (motos de alta performance) levam de 20 a 25 minutos até o Jerivá, e de Brasília/Goiânia entre 37 a 42 minutos.

Waléria Fortes
Entre amigos não existe distância
            Por brincadeira ou por paixão a velocidade, a "liberdade" em duas rodas tem custado vidas. Homens que depositam toda confiança nos motores e em si próprio, perdendo o senso de limite e respeito,  também estão perdendo a vida. Segundo Pedro P. Flores, 30, a alta velocidade tem motivos. "Somos privilegiados por ter essa rodovia. A pista é duplicada, bem sinalizada e cheia de curvas. Impossível não correr. Mas o grande problema são os motoristas mal humorados. Eles jogam seus veículos em cima de nós, não usam seta para mudar de faixa e fazem ziguezague para fechar as motos. Não corremos só, eles correm também", afirma Pedro.

            Não é a toa que a Polícia Rodoviária Federal tem feito operações na rodovia para desacelerar pilotos e motoristas. Para integrantes de alguns motoclubes e motogrupos, a velocidade excessiva não é a escolha de "todos".

            As últimas estatísticas do DETRAN/DF (Departamento de trânsito) em 2009 mostram que os acidentes de trânsito com motos lideram o segundo lugar no ranking de acidentes dentro do DF, o primeiro lugar é liderado por carros. Até junho foram registrados 72 acidentes com moto, a maioria envolvendo homens com idade entre 19 e 35 anos. A falta de respeito dos condutores de veículos e de moto tem gerado números absurdos de mortes e acidentes no DF e entorno.

            Para os fascinados por moto e velocidade esses excessos não são absurdos. Eles afirmam que a velocidade não é proposital, mas uma conseqüência para quem compra moto com mais de 600 cc. Segundo Maguilane Moura, 44, empresária, o mercado tem se especializado para atender a procura por motocicletas e acessórios. O público é exigente e o investimento é alto, alguns modelos variam de R$ 35.000 a R$ 70.000 e os acessórios acrescentam R$ 5.000,00. Nos últimos quatro anos o mercado cresceu em 40% e as mudanças foram significativas, isso explica a quantidade de motocicletas no trânsito e as fatalidades.

            Mag, como é chamada pelos amigos, afirma que adora velocidade e por várias vezes pilotou a 240 km/h, mas não quer que seus passos sejam seguidos pelo filho. "Minha paixão por moto e velocidade começou aos 13 anos e só aumentou durante esse tempo. Se eu morrer em cima de uma moto, morro feliz.", declara. Os estudantes João Gilberto, 21 e Thais, 16, apaixonados por motovelocidade e com o histórico extenso de acidentes, deixam claro que não têm medo. "Adoro velocidade, já peguei 264 km/h como garupa e faria de novo. Não tem como definir a sensação. Eu amo moto e não tenho medo", revela Thais.   

            A sensação de liberdade, adrenalina e aventura definem o espírito dos motociclistas de superbikes e nakeds. A imponência das máquinas e o ronco dos motores atribuem poder e atitude aos pilotos. O empresário Bruno Moura, 22, define os pilotos de motos esportivas como "loucos", mas no bom sentido. "Na estrada faria o mesmo. Quando corro não penso em nada, simplesmente corro. Pilotei a 250 km/h e pretendo continuar correndo", conclui  Bruno.

Publicado em 03/12/2009