ESPORTE 

A febre do poker em Brasília
Está cada vez mais comum mesas de poker entre os brasilienses


Paulo Felipe Cardoso Junior

Paulo Júnior
Habilidade ou jogo de azar? Eis a questão!
Palavras com all in, dealer, small blind e big blind, podem não fazer parte do cotidiano de muitas pessoas, mas para os jogadores de poker, elas são bem comum. Apesar de ainda ser um assunto polêmico e pouco conhecido pela maioria, o poker atinge cada vez mais o status de esporte no Brasil e no mundo. Ao contrário do que muitos imaginam, o poker requer muito estudo e treino e não somente sorte. Seduzidos por esse esporte, que é também um estilo de vida, muitos brasilienses estão se tornando jogadores profissionais, e se dedicam ao exercício da lógica e raciocínio, com o objetivo de fazer parte do cenário mundial. Essas mesas estão espalhadas pela cidade, mas é comum nas reuniões entre amigos ou mesmo na Internet. É a sensação de simplesmente não ter controle dos próximos segundos, a adrenalina de poder ganhar milhões. Um sentimento difícil de explicar em um único parágrafo, mas que movimenta uma poderosa teia de glórias, ilusões, ruínas, diversão, fortunas e derrotas.

A porta de entrada para essa febre tem sido a Internet. Só em português, é possível encontrar 25 cassinos virtuais diferentes, em inglês, são centenas. Dura apenas três minutos para se cadastrar em um deles.

Toda segunda-feira, por volta dás 20:30 um grupo de amigos se encontram para jogar, as apostas giram em torno de R$ 10,00. Todos são unânimes em dizer que estão ali só para rever os amigos, mas quando começa o jogo o espírito de competição toma conta dos jogadores. Como a legislação brasileira ainda é bastante indefinida sobre a prática do poker, os jogadores preferem ficar no anonimato para evitar problemas judiciais.

Recentemente foi criada a Confederação Brasileira de Texas Holdem (CBTH), entidade que representa para poker o mesmo que a CBF para o futebol. O Texas Holdem é a variação mais jogada tanto online, como em torneios. A principal tarefa é buscar o entendimento da licitude e da legalidade dentro do país. Para conquistar esse objetivo, a CBTH conta com a ajuda da IFP (International Federation of Poker, a "Fifa" do pôquer), cuja sede fica, não por acaso, em Lausanne (Suiça), vizinha ao Comitê Olímpico Internacional (COI) e a muitas outras federações esportivas, como, por exemplo, as de ciclismo, natação e vôlei. No jogo de poker o jogador habilidoso pode mudar o curso da "sorte" e ganhar a disputa. No sistema de campeonato, não há apostas em dinheiro. O concorrente paga uma inscrição e recebe um número de fichas cujo valor é simbólico para efeito da disputa. O que está concorrendo é um prêmio ao final da competição. Porém a inscrição visa também arcar com os custos do campeonato. Isso acontece também em esportes como o golfe e o tênis dentre outros", sentenciou Alexandre, advogado e jogador de poker. No Brasil, por exemplo, já existem laudos significativos que reconhecem o poker como um jogo em que a habilidade do jogador, e não a sorte, é o fator determinante para a vitória. Estão sendo realizados estudos do mundo inteiro para produzir um documento oficial sobre a diferença entre jogos de azar e jogos de habilidade. No entanto, sua imagem para a sociedade brasileira ainda precisa ser alterada pela sua informação e exposição, a fim de se derrubar o preconceito que ainda paira sobre a prática.

Para os jogadores de Brasília se isso acontecer, ficará difícil enquadrar juridicamente o poker como jogo de azar.

Publicado em 26/11/2009