SAÚDE 

Aquecimento global causa pedra nos rins
Cálculo renal é a terceira maior causa de internação emergencial


Daniel José de Andrade

Segundo pesquisa desenvolvida pela Universidade do Texas no final do ano passado - e publicada pela revista Proceedings of The National Academy of Sciences - o aquecimento global pode provocar maior incidência da nefrolitíase, popularmente conhecida como cálculo renal ou pedra nos rins. Com o aumento da temperatura, há maior desidratação do organismo. A maior transpiração corpórea, associada ao baixo volume de urina pela falta de reposição de líquidos no corpo, aumenta o risco de desenvolver o cálculo renal, formado pela concentração de cristais presentes na urina, derivados da dissolução dos sais minerais ingeridos na alimentação.

De acordo com Glauco de Almeida Guedes, urologista do Hospital Santa Helena de Brasília, o cálculo renal pode se formar por alterações no metabolismo ou mesmo por questões ambientais. O clima seco e quente, aliado à pouca ingestão de água, aumenta substancialmente o risco de desenvolver cálculo renal. "Brasília talvez seja hoje uma área endêmica nesse tipo de doença", diz Glauco, referindo-se ao clima característico da cidade - quente e seco - como a possível causa do grande número de casos registrados na capital do país.

Entre as três maiores causas de atendimentos emergenciais, os cálculos renais são um problema bastante conhecido de Marcelus Carvalho de Paula, funcionário do Banco do Brasil, nascido em Belo Horizonte-MG e criado na cidade de Sobradinho. Operado pela terceira vez em março deste ano para a extração de 23 cálculos, diz que duas de suas três crises coincidiram com o período mais seco da cidade. "Passei por três procedimentos cirúrgicos. Em todos três, as pedras foram bombardeadas por laser. É terrível, o pós-operatório é muito doloroso", diz Marcelus.

Cirurgia

Conhecida no meio médico como ureterolitotripsia, a cirurgia a laser consiste na inserção de um aparelho chamado endoscópio no ureter do paciente até o local onde está situado o cálculo. Uma vez localizada, a pedra é bombardeada com feixes de raio laser e fragmentada em partículas menores, permitindo assim sua eliminação por meio da urina. Entre as opções disponíveis ? laser, bombardeamento por ondas de choque e incisão - a cirurgia a laser é a mais moderna e menos invasiva. Não há prejuízo para tecidos e órgãos vizinhos e o tempo de internação não costuma passar de 48 horas.

Reincidência

Segundo Dr. Glauco, quem teve cálculo renal uma vez tem possibilidade de ter novas crises, desde que não normalize seus hábitos. Entretanto, ter cálculos não é sinônimo de cólicas esporádicas. "Habitualmente os cálculos evoluem com crises fortes de dor aguda do tipo cólica renal, mas há pessoas que podem apresentar episódios de infecções urinárias ou mesmo apresentar câncer das vias urinárias", diz o urologista.

Prevenção

Para prevenir não há mistério: a solução é beber muita água. Entre dois e três litros por dia. O controle da ingestão de alimentos ricos em cálcio e proteínas também ajuda na prevenção.

Publicado em 27/11/2009