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Instituto de Educação Superior de Brasília. |
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Filmes & Livros |
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Resenha do livro História sem fim
Por Georgiana Calimeris (discente) |
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Vol. 2, Nro. 4, outubro de 2010
Autor: Michael Ende Editora: Martins Fontes Ano: 2000
Muitos se lembram do título do livro por causa do filme e da música, que é bastante simpática. O que poucas pessoas sabem é que o filme foi baseado no livro do autor Michael Ende. Pode se pensar que é mais um livro de história infantil, de um mundo vasto e diferente. Na verdade, quando as páginas são viradas descobre-se uma variedade de nuances que não estão presentes no filme e que fazem toda a diferença no imaginário de quem tem o livro em mão. Por que falar de um livro no estilo fantástico numa revista de Psicologia? Porque um dos personagens principais exercita perfeitamente o papel do herói e percorre o caminho do herói e, porque em uma análise profunda podem-se perceber as nuances de uma mesma pessoa em personagens distintos.
A história começa com Bastian Baltazar Bux fugindo de garotos que o importunavam e ele entra em uma livraria onde um homem estava prestes a começar a ler o livro História sem fim, o mesmo livro que temos em mão. Não é curioso como Ende trabalha o mundo dentro do mundo, como nos sonhos? Enfim, num ato de coragem Bastian rouba o livro e se esconde num cômodo empoeirado da escola. Lá ele começa a viver as aventuras de Atreiú, grande guerreiro do reino de Fantasia, e lá, também, ele vê o mundo de Fantasia desaparecer. O leitor que tem o livro nas mãos lê Bastian em letras e em tom ferroso e as aventuras de Atreiú como Bastian lê, em tons de verde. Outra peculiaridade que Ende usou foi organizar os capítulos pelas letras do alfabeto. Bastian e também o leitor torcem para que Atreiú seja bem-sucedido em suas tarefas de guerreiro. Neste ponto, pode-se dizer que Atreiú é a parte de Bastian, e também a nossa própria, que luta por seus desejos e objetivos, que não esmorece diante da adversidade mesmo quando uma perda é inevitável, mesmo quando Atreiú perde seu amado cavalo. Para quem lê o livro, a jornada é dupla, pois, é uma torcida tanto por Bastian para entender que ele é parte de Fantasia quanto por Atreiú para vencer o mau que acomete Fantasia, que é a doença da Imperatriz Criança. A Imperatriz necessita de um novo nome e, é dado ao leitor o conhecimento de que deve ser Bastian quem deve batizá-la. De novo, percebe-se que há um herói a ser amadurecido, que já evoluiu mas ainda falta sabedoria. Atreiú sofre e Bastian sofre junto. Sem um, o outro não existe; afinal, se Bastian não lesse o livro, quem seria Atreiú? Finalmente, Fantasia é salva e Bastian dá nome à Imperatriz Criança.
Qual a importância disso? É um rito de passagem. Quando Bastian nomeia a Imperatriz Criança, ele é transportado ao mundo de Fantasia e agora ele e Atreiú passam a conviver lado a lado. No entanto, uma velha bruxa, querendo tirar proveito do poder adquirido por Bastian, começa a aconselhá-lo. Assim, acaba por afastar Atreiú, que era a voz da consciência de Bastian, e este herói, mais próximo do humano que do ideal, esquece que, para cada realização no mundo de Fantasia, sua memória se perde. Pois, a ele foi concedido o poder de criar em Fantasia. Bastian não percebe em que tristes armadilhas cai com seus desejos grandiosos até que seja tarde demais. Despido de qualquer memória, ele deve escavar e encontrar o lugar certo, sendo a única forma de retornar para casa. No entanto, a casa se quebra e ele perde as esperanças por um breve momento. Quem lê, sente aquelas emoções de Bastian, afinal, são sensações humanas.
Depois de passada toda a comoção, Bastian entende o que ele deve fazer: levar amor ao seu pai. O caminho de Atreiú dentro dessa mítica, criada por Ende, é o caminho clássico do herói. Para Bastian, o caminho era o caminho do coração. Talvez, por isso, seja uma história tão bela, imponente e singela: é a elaboração do caminho de volta para ouvir o próprio coração, a própria alma.
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