Publicado em 11 de setembro de 2020
A paixão e curiosidade que Thallis Víctor Ramos, egresso do curso de Relações Internacionais, tinha pelas histórias e questões associadas ao Oriente Médio se intensificou quando, no segundo semestre do curso, o internacionalista participou da semana de cinema política que apresentou diversos filmes sobre a região. “Isso foi aumentando a minha vontade de conhecer, de entender mais como funciona essa parte do globo, como funciona esse lado que, muitas vezes, temos uma visão muito enviesada, uma visão muito ocidental”, conta.
O tema escolhido para abordar no seu TCC foi definido e amadurecido em conjunto com o seu orientador. Os desafios se apresentaram logo no início do processo, com a dificuldade de encontrar autores não ocidentais que abordassem o tema, ou autores que falassem de uma maneira imparcial: “Muitos autores são americanos ou então europeus, e tem uma visão bem colonialista e bem deturpada, às vezes, do que é o Oriente Médio”.
O trabalho “A ISLAMIZAÇÃO RADICAL DA LÍBIA COMO UM SUBPRODUTO DA DERRUBADA DE MUAMMAR AL GADDAFI” apresentou dados que embasassem a hipótese de que após a morte do líder Muammar Al Gaddafi e a queda de seu regime, as questões relacionadas ao aumento de grupos radicais no território líbio, conflitos políticos e civis, e piora nas questões econômicas e sociais, se intensificaram. O egresso recebeu nota máxima no projeto e teve sua hipótese aprovada como verdadeira.
Muammar Al Gaddafi e a islamização radical Muammar Al Gaddafi, líder, governante e criador do Estado das massas esteve no poder até 2011 quando, em resultado da primavera árabe, o governo foi derrubado, ocasionando uma guerra civil entre aqueles que queriam sua derrubada e os que eram fiéis ao líder. Em outubro do mesmo ano, Muammar foi morto e o regime que durou 42 anos chegou ao fim.
O conflito que se iniciou motivou a intervenção da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) com o intuito de proteção aos civis, e posteriormente de grupos radicais, que adentraram o território após a abertura do Estado, ocasionada depois intromissão da OTAN. “Isso gerou ainda mais o enfraquecimento político e social do país, aumentando as questões internas e tornando elas cada vez mais problemáticas”, conta Thallis.
Segundo o jovem, a atividade de grupos radicais não era uma realidade pertencente à Líbia antes da intervenção: “Logo após a morte de Gaddafi o país foi deixado em um completo caos e esses grupos radicais ficaram na corrida e luta pelo poder junto a essas outras frentes”.
Em 2019, até o momento em que o trabalho estava sendo escrito, por conta da instabilidade política e afrouxamento das fronteiras, que se deu após a queda de Muammar, grupos extremistas como Al Qaeda, Al Qaeda no Magrebe Islâmico, Ansar al- Sharia e o Estado Islâmico, ocupavam e atuavam no território.
A Líbia passa por uma crise política, econômica, social e humanitária. De acordo com o trabalho, o país que anteriormente chegou a ter o maior IDH da África (2010), em 2019 se encontrava na 108° do ranking de IDH global, sendo o menos estável e o menos crescente.
Segundo a pesquisa, a insegurança no país é intensa, o crescimento econômico é inconstante, sempre acompanhado por altas inflações, tornando as dificuldades que a população enfrenta ainda mais difícil. O trabalho mostra que a Agência das Nações Unidas para Refugiados avalia que cerca de 1,3 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária.
“Durante o governo de Muammar as pessoas tinham direito a educação, moradia e saúde. Eu acredito que é importante nós termos um pouco dessa visão de contraste, um antes e depois, para sabermos que se antes era considerado ruim pelo ocidente, e talvez por algumas frentes contra o governo dele dentro do país, se depois ficou pior porque o país se tornou um verdadeiro caos”, finaliza Thallis.
Por Isadora Mota