Publicado em 9 de outubro de 2026


Evento gratuito reuniu cerca de 800 participantes, 10 palestrantes e 24 trabalhos apresentados nos dias 6 e 7 de outubro, no campus Sul do IESB
O Centro Universitário IESB encerrou, na noite de quarta-feira, 7 de outubro, a primeira edição do Reboot IESB 2026: O Impacto da IA nas Nossas Vidas. Em dois dias de programação no campus Sul do IESB, cerca de 800 pessoas acompanharam palestras, mesas-redondas, apresentações de trabalhos e demonstrações tecnológicas sobre como a inteligência artificial transforma a educação, as profissões, a gestão e o sistema de Justiça.
A ideia do evento é reflexo da criação do curso de Ciência de Dados e Inteligência Artificial em 2018 pelo IESB, a primeira instituição do Brasil a ofertá-lo. De acordo com o Reitor Luiz Claudio, “o evento cria um ecossistema. Nós trazemos pessoas de fora para ouvirmos opiniões diferentes, discutimos o assunto e colocarmos em prática, principalmente para os nossos estudantes. Porque eles estão em um momento em que a vida profissional deles será afetada pela IA. Não é para ter medo disso, mas é para saber como usar para potencializar”.
Educação e profissões
O primeiro dia do evento foi marcado pelas palestras de Celso Niskier e de Arnóbio Morelix. Celso, reitor da UniCarioca, destacou as mudanças que a inteligência artificial trouxe para o ensino superior. “A universidade deixa de ser aquela que dá um diploma depois de 4 anos e nunca mais te vê, a aprendizagem é constante. Ela deixa de ser aquela que transmite conhecimento para aquela que mobiliza conhecimento”, sintetiza.Segundo ele, é preciso integrar mais pesquisa, extensão, inovação, o mercado de trabalho, projetos, problemas reais, e a IA, dentro da universidade, tem que ser transversal.
Já Morelix tratou da oscilação de um mundo digital entre as dificuldades e os sonhos. “Nós temos a oportunidade de sentar no volante da inteligência artificial e navegar como essa nova tecnologia afeta a vida de todo mundo” observa.
Gestão, Empreendedorismo e Inovação
Durante a noite do primeiro dia, André Rehbein Sathler, coordenador do mestrado em Gestão Estratégica de Organizações, Luciana Macedo, do Sebrae Nacional, e Diego Henrique Figueiredo, da GlobalWeb falaram sobre a IA no contexto das empresas.
André trouxe a visão de como a gestão deixa de ser sobre pessoas unicamente e passa a ser sobre capacidade. “O novo problema não é produzir. É escolher. O gargalo passou da produção de ideias para o mais importante: a decisão”, destacou. Segundo ele, a hierarquia é bagunçada pela maior capacidade das pessoas com menor autoridade formal e o organograma formal não representa mais a capacidade cognitiva disponível na organização.
Luciana trouxe o caso Ideias de Negócios, um portal gratuito com mais de 400 orientações para quem deseja abrir uma empresa ou se tornar Microempreendedor Individual. A gestora contou como a equipe utilizou inteligência artificial generativa para atualizar os conteúdos, reduzir gastos com a operação e criar novas formas de ajudar o futuro empreendedor. “Criamos o Plano de Negócios: PNBox+. A solução digital do Sebrae e do Google que apoia o empreendedor na construção e evolução do plano de negócio”, conclui.
O último palestrante da noite, Diego Figueiredo, trouxe dados sobre o atual uso de IA pelas empresas. “50% das empresas já utilizam e 15% estão em estágio avançado de adoção. A questão agora não é mais ‘se’. É ‘onde’ e ‘como’. Mas o executivo alerta para o cuidado com a decisão e curadoria: “a IA escala tudo, inclusive o erro”.
Justiça, ética e alinhamento da IA
O segundo dia do evento contou com a palestra do juiz Pedro Matos de Arruda do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT): Inteligência Artificial no Judiciário: Uso Ético, Riscos e Desafios para o Futuro. Segundo o jurista, a decisão judicial precisa ser personalizada, adequada ao conflito concreto e refletir um sentimento humano. “A IA consegue escrever por nós, mas ela não deve julgar por nós, nem decidir. A IA pode escrever, mas a decisão é nossa”, explica.
O reitor Luiz Cláudio Costa foi o segundo palestrante do dia. Autor de dois livros sobre o tema, O Impacto da Inteligência Artificial na Humanidade (2025) e Inteligência Artificial: Funcionamento e desafios à estica, às crenças e à existência humana (2026). Em sua palestra Os Desafios do Alinhamento da Inteligência Artificial, ele explicou o conceito que o impacto da Inteligência Artificial caminha para uma sociedade de abundância distribuída, não concentrada. “O mundo é movido por inteligência. Quanto mais inteligência nós tivermos disponível, melhor é para nós avançarmos. A cura das doenças, a resolução dos problemas climáticos, a resolução da miséria e da pobreza”, observa.
IA e suas Tecnologias Disruptivas
A noite do dia 7 fechou o evento e trouxe Edmon da Silva, Adriel Volzzi Sales e Fábio André Lopes. Líder de uma das maiores estruturas de design do país, com mais de 350 designers, Edmon abriu a noite com a palestra A IA responde. Quem decide?. Para ele, o ser humano não perdeu a sua importância no uso da IA. “Independentemente do ramo em que você trabalha, a inteligência artificial vem para auxiliar as pessoas no desenvolvimento das suas atividades, e não para substituí-las”, afirmou.
Como exemplo de uso que já é realidade, Edmon citou o desenvolvimento de soluções digitais, em que a IA atua como copiloto. “Isso já vem acontecendo, e há muitos casos. É muito bacana e inspira demais no nosso trabalho”, disse.
Egresso do IESB, Adriel voltou à instituição como palestrante e levou o tema IA além do hype: aplicações em empresas e Governos. Customer Advisor da SAS, ele alertou para a pressa com que as organizações adotam novidades tecnológicas. “Toda hora temos um hype novo, um novo modelo a ser utilizado. Muitas vezes as empresas adotam esses modelos na emoção, no impulso, sem governança, sem estratégia por trás, e acabam perdendo muito dinheiro e recursos”, destacou.
Para Fábio André Lopes, diretor da Realizze Produção de Eventos e ex-professor do IESB, a inteligência artificial é uma onda que cada um pode aproveitar ou deixar passar. Foi com essa imagem que ele abriu a palestra Reinvente-se ou Desapareça: inovação e criatividade como ferramentas para impulsionar carreiras e negócios. “Se não soubermos aproveitá-las da melhor forma possível, seremos afogados, ou poderemos surfar com elas”, disse. Entusiasta do tema, ele defendeu que a IA é uma ferramenta, e que o diferencial está nas capacidades de quem a usa. “Inovação e criatividade são duas palavrinhas mágicas e fazem toda a diferença. Se você tem uma ferramenta e não sabe criar nem enxergar novas possibilidades com ela, não adianta nada: você fica estagnado.”
Pesquisas e projetos apresentados
O Reboot 2026 também destacou trabalhos de inovação em Inteligência Artificial, demonstrações tecnológicas e pesquisas científicas sobre o tema. Marco Valério, estudante do 6° semestre de Ciência de Dados e Inteligência Artificial, e o orientador, Sérgio Cortes, desenvolveram a Atena, uma IA que consulta dados do Sistema Único de Saúde (SUS) e oferece apoio a estudantes, professores e à comunidade em diversas áreas. Marco já colhe os frutos do estudo. “hoje em dia, eu estou estagiando para empresas muito boas, e elas precisam disso”, finaliza.
Larissa Daches, estudante de Publicidade e Propaganda do 6° semestre, e a orientadora, Nívea Braga, desenvolveram a pesquisa sobre Inteligência Artificial e Criatividade, com o objetivo de compreender melhor potencialidades e limitações do uso de ferramentas generativas com os alunos. “O intuito da pesquisa é compreender como os alunos vêm enxergando esse uso de ferramentas generativas de Inteligência Artificial na elaboração dos seus trabalhos acadêmicos”, explica Larissa,
Segundo o reitor Luiz Cláudio, a edição de 2026 é apenas a primeira. A previsão é que os próximos eventos ampliem o debate sobre como a IA atua alinhada com as grandes descobertas e os valores humanos.