Três mulheres, três trajetórias e um mesmo sonho: do curso de Arquitetura do IESB até o mestrado nos Estados Unidos

Publicado em 15 de junho de 2026

Por: Lorenna Kuroda

A arquitetura entrou na vida de Ana Carolina Vilela Sakkis Toledo ainda na infância. Aos oito anos, sua revista favorita era Arquitetura & Construção. Anos depois, o sonho de se tornar arquiteta precisou ser interrompido quando ela deixou a graduação para cursar Direito. Décadas mais tarde, aos 38 anos, decidiu retomar o caminho que havia deixado para trás.

Já Thais Valverde de Morais Marcondes encontrou na profissão uma forma de compreender algo que a acompanhava desde muito nova: a curiosidade sobre como as pessoas se relacionam com os ambientes que habitam. Carolina Pádua Rodrigues, por sua vez, atribui parte de sua paixão pela área à experiência de crescer em Brasília e, posteriormente, viver no Rio de Janeiro, observando diferentes formas de ocupação e vivência das cidades.

As histórias das três egressas do curso de Arquitetura e Urbanismo do IESB se cruzam em diversos pontos. Todas concluíram a graduação recentemente, construíram trajetórias marcadas pela pesquisa acadêmica e agora se preparam para uma nova etapa em universidades dos Estados Unidos. Elas compartilham um olhar sobre a arquitetura que vai além da construção de edifícios ou casas e se aproxima das pessoas, da saúde, da qualidade de vida e da transformação dos espaços.

O sonho retomado

Formada pelo IESB em dezembro de 2024, Ana Carolina se prepara para iniciar, em agosto, o Master of Science in Architecture, na área de Health and Design, no Georgia Institute of Technology, em Atlanta. Sua trajetória é marcada pela persistência. O interesse pela arquitetura surgiu cedo e nunca desapareceu. “Sempre foi minha grande paixão. Aos 8 anos, minha revista preferida era ‘Arquitetura e Construção’. Meu primeiro vestibular, aos 17 anos, foi para Arquitetura”, relata.

Após interromper a graduação anos atrás, ela decidiu retornar à universidade já na vida adulta. “Aos 38 anos, com o apoio do meu marido, decidi retornar à faculdade e realizar o sonho de me tornar arquiteta”, afirma.

Durante o curso, uma das experiências mais marcantes foi o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Inspirada na trajetória da avó, que enfrentou o Alzheimer, Ana desenvolveu um projeto de Vila para Idosos com Demência. “Esse projeto uniu arquitetura, saúde e cuidado humano, áreas pelas quais sou apaixonada.” Hoje, seu objetivo é aprofundar estudos sobre arquitetura voltada à saúde e ao envelhecimento.

A arquitetura como experiência humana

Formada em dezembro de 2022, Thais Valverde construiu uma trajetória que combina atuação profissional, pesquisa e formação continuada. Atualmente, desenvolve projetos de arquitetura de forma independente, conclui uma pós-graduação em Gestão BIM (Building Information Modeling) e se prepara para iniciar o mestrado nos Estados Unidos. Ao longo do processo de candidatura, foi aprovada em 11 programas de mestrado, entre eles University of Pennsylvania, University of Michigan, Virginia Tech e Washington University in St. Louis.

Ela conta que, desde cedo, observava comportamentos e relações de causa e efeito, mesmo sem possuir linguagem para descrever essas observações. “Com o tempo, percebi que a arquitetura reunia muitas das áreas que despertavam minha curiosidade: comportamento humano, ciência, tecnologia, criatividade e resolução de problemas”, diz.

No TCC, desenvolveu o projeto Instituto Visão & Vida, voltado ao atendimento multidisciplinar de pessoas com dor crônica e Síndrome de Irlen. A pesquisa que pretende desenvolver no mestrado segue a mesma linha. “Meu interesse está principalmente nas pessoas e na forma como os espaços influenciam sua saúde, suas experiências e sua qualidade de vida”, explica.

Entre cidades, natureza e qualidade de vida

Carolina Pádua Rodrigues concluiu a graduação em julho de 2024. Atualmente, trabalha com duas colegas que conheceu durante o curso e com quem compartilha projetos de arquitetura em Brasília e Goiás. As sócias têm algo em comum: fizeram transição de carreira e construíram uma parceria que ultrapassou os anos de graduação.

O interesse pela arquitetura foi sendo construído ao longo da vida. “Eu sempre fui apaixonada por arquitetura. Crescer em Brasília teve uma influência muito grande nisso.” Posteriormente, ao morar no Rio de Janeiro, Carolina passou a observar de forma mais intensa as relações entre cidade, patrimônio, natureza e ocupação dos espaços urbanos. “Foi lá que eu comecei a me interessar mais profundamente pela relação entre arquitetura, memória e identidade dos lugares”, completa.

Durante a graduação, encontrou na pesquisa acadêmica um caminho que continua seguindo após a formatura. Participou do PIBIC, desenvolveu trabalhos de pesquisa e foi aprovada em programas de mestrado de universidades como University of Florida, Illinois Institute of Technology, Clemson University e Virginia Tech, instituição escolhida para dar continuidade aos estudos.

A pesquisa dela está voltada para o paisagismo urbano e as soluções baseadas na natureza. “O que mais me interessa nessa área é justamente essa relação entre cidade, natureza e qualidade de vida.”. Segundo Carolina, o objetivo é compreender como o paisagismo pode contribuir para cidades mais resilientes, saudáveis e acolhedoras.

O que une essas trajetórias

Embora tenham histórias diferentes, as três egressas compartilham alguns elementos em comum. Todas concluíram a graduação recentemente. Todas encontraram na pesquisa acadêmica um caminho de desenvolvimento profissional. Todas destacam o papel dos professores e orientadores durante a formação. E todas enxergam a arquitetura para além da dimensão técnica.

Nas entrevistas, aparecem repetidamente temas como saúde, cuidado, qualidade de vida, experiência humana, cidades e bem-estar. Ana Carolina direciona seu olhar para a arquitetura voltada ao envelhecimento e à saúde. Thais investiga as relações entre ambiente construído e experiência humana. Carolina busca compreender como a natureza pode ajudar a transformar as cidades. São caminhos diferentes, mas que partem de uma mesma compreensão: a arquitetura tem impacto direto sobre a vida das pessoas.

Formação que estimula ir além

As três egressas também destacam experiências vividas durante a graduação no IESB, especialmente a participação em projetos de pesquisa, monitorias, orientação de TCC e o incentivo recebido de professores e da coordenação. A presença da coordenadora Larissa Cayres aparece nos relatos das três entrevistadas, assim como o apoio de docentes que acompanharam seus projetos acadêmicos e profissionais.

Para Larissa, embora Ana Carolina, Thais e Carolina tenham trajetórias bastante diferentes, elas compartilham características que ajudam a explicar suas conquistas acadêmicas. “Maturidade, comprometimento, disciplina e clareza de propósito. Todas chegaram ao curso em um momento de vida em que a escolha pela Arquitetura e Urbanismo foi muito consciente”, afirma.

Segundo a coordenadora, a presença de estudantes que ingressam ou retornam à graduação após experiências profissionais em outras áreas contribui para enriquecer o ambiente acadêmico. “Esse perfil traz repertórios diversificados, visões de mundo mais amplas e uma capacidade diferenciada de relacionar teoria e prática. No caso da Arquitetura e Urbanismo, essa diversidade de trajetórias contribui para debates mais ricos e para o desenvolvimento de soluções mais inovadoras e humanas”, destaca.

As áreas escolhidas pelas três egressas para aprofundar seus estudos também refletem mudanças nas preocupações da profissão. “Temos observado um interesse crescente dos estudantes por temas que dialogam diretamente com os desafios contemporâneos da sociedade. Questões relacionadas à saúde, bem-estar, sustentabilidade, acessibilidade e qualidade dos espaços construídos têm ganhado cada vez mais relevância”, observa Larissa.

Criado em 2012, o curso de Arquitetura e Urbanismo do IESB tem buscado combinar formação técnica e incentivo à pesquisa. Ao longo da graduação, os estudantes são estimulados a participar de programas de iniciação científica, projetos de extensão, monitorias e atividades que aproximam a formação acadêmica dos desafios reais da profissão. “Buscamos desenvolver profissionais capazes de atuar com competência em diferentes escalas e contextos, mas também conscientes de sua responsabilidade social”, afirma a coordenadora.

Para ela, a aprovação simultânea das três egressas em programas de mestrado nos Estados Unidos simboliza a consolidação de uma trajetória construída durante a graduação. “É um reflexo da qualidade da formação oferecida pelo IESB e da capacidade de nossos estudantes de competir em ambientes acadêmicos de excelência em nível global”, explica.

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